segunda-feira, 8 de junho de 2026

um texto dedicado ao mês de junho

 definitivamente 4 semanas de 

funga-fungas

rinites no mínimo absurdas

dedos gelados, pés duros

o céu, porém, extremamente específico

a luz que incide sobre a cidade a qualquer hora

um azul de toda forma anil 



e eu tenho rituais

cheiro de milho cozido invade a casa

e eu saio junto com o sol 

em busca 

do próximo café que queimará minha língua

eu compro passagens para lugares ainda mais frios 

apenas para me arrepender e repetir roupas que amo

eu faço mingau e cubro meu nariz

e leio todos os emails de uma caverna


entro quase que de férias, hiberno, fico torta na cama

digito dela 

tudo a um braço

tudo a um passo





segunda-feira, 13 de abril de 2026

Yet so

 



been obsessively listening to this song and then reading the lyrics. things only björk would. thank you björk <3


I miss you, but I haven't met you yetSo special, but it hasn't happened yetYou are gorgeous, but I haven't met you yetI remember, but it hasn't happened yet
And if you believe in dreamsOr what is more importantThat a dream can come trueI will meet you
I was peeking, but it hasn't happened yetI haven't been given my best souvenirI miss you, but I haven't met you yetI know your habits, but wouldn't recognize you yet
And if you believe in dreamsOr what is more importantThat a dream can come trueI miss you
I'm so impatientI can't stand the waitWhen will I get my cuddleWho are youI know by now that you'll arriveBy the time I stop waiting
I miss you

sexta-feira, 10 de abril de 2026

nem sempre de abismos


 

Existe sim uma força quase que centrípeta, um magnetismo incontrolável, uma vontade quando não um gozo em falar sobre ela: a foice inevitável do tempo. O pum de Deus isso aqui, viver, acordar, ir, se manifestar, fichas caindo, órbitas e colisões. Para então.

E são mortes de um tanto de tipo. Do meu tio Daniel e da forma como ele se foi, do Twitter, da internet social dos anos 2000, do trajeto que eu fazia entre 2006 a 2010. Das minhas pinturinhas com Kiwi. Outras muito mais duras e inexplicáveis - pessoas, sonhos e projetos que morreram cedo demais, antes que a eles eu pudesse dar rostos e viver cheiros.

Vivi lutos, inclusive, de fins ridículos. Das coisas que gostaria de ter dito e das coisas que gostaria de não ter dito, feito. 

Mas não se vive uma vez: se vive e depois se revive as pequenas reminiscências - e largá-las assim, sem propósito, sem rituais, faz de mim uma espécie de outra pessoa. Versões minhas completamente estrangeiras.

E quando tudo isso para mim ser a última vez? o meu último banho com aquele sabonetinho que eu amo, o meu último gole de água com gás são lourenço (ou caxambu!!!), último céu completamente anil em maio, as folhas se desprendendo dos ipês rosas, uma espécie de silêncio úmido. eu que fico amuada quando um mísero xampoo é descontinuado, quem dirá quando eu perceber que estou perto de ser. pior: quando eu sonhar mais um daqueles sonhos que começam super tranquilos e terminam comigo em terceira pessoa vendo uma pessoa que eu não vejo há décadas numa espécie de areia albina sendo engolida por um pássaro gigante. não entender nada e ficar sabendo dias depois: essa pessoa se foi. e todas também um dia. e todas as coisas em geral. sem despedida, sem rituais. 


as montanhas não. nem certas árvores. certos sapos. certos insetos. eles ficarão. e será aquela ladainha de novo: quem veio primeiro? algo me diz que uma pergunta possível seria: quem ficou por último?

tudo isso para dizer que tenho arrependimentos sim. mas também fiz escolhas felizes em momentos inacreditáveis (colisões) que giram em torno, uma espécie de força centrípeta, daquela sede inevitável: o amor? 

sempre ele - no final. seja pela sua presença ou ausência. é isso que me mata.


ouvi tantas vezes esse podcast e se pudesse teria feito só isso. 




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

these magic mountains



percorro o sinistro, e nele esbarro

num glossário em aberto. 


























um contexto geográfico: a cordilheira do espinhaço é a maior do Brasil. ela estabelece sua infinita grandeza em terras mineiras, entre Serra do Cipó e Lapinha da Serra. as montanhas se entrelaçam até a Bahia, desaguando na Chapada Diamantina.

fico pensando na ancestralidade dessas montanhas, os segredos guardados em suas grutas, silêncio milenar abafado entre vales. me pergunto quantas pessoas romperam com a sociedade e decidiram fazer do seu presente estrada permanente, percorrendo quilômetros, anos e vidas, atravessando mágoas, angústias e saudades.



dessa janela sem esquadrias me pergunto onde estará tudo que me levou aqui. e porque decidi voltar a esse lugar depois de dez anos. e porque são as décadas os marcos temporais para meu regresso, quando não minha partida. 

o que são dez anos para essas montanhas? penso eu. em dez anos eu me movi de mim: mudei de cidade, mudei de casa trezentas vezes, perdi e ganhei e mantive amizades, mudei de emprego, de profissão. comecei do zero algumas vezes. e assim como essa paisagem já não é mais oceano, eu também já não sou tantas coisas, e por isso o espanto de ver que o tempo, embora o mesmo, em distribuição desigual. o que são dez anos para essas montanhas?


nunca saberia dizer se tudo que ouvi foi som ou apenas eco. ou se tudo que vi foi fotografia ou cópia. se atravessei ou fui atravessada. 

é sempre um pouco assim: um pouco disso tudo revolucionando meu nada.


não quero que seja em dez anos o nosso próximo encontro.
desejo que seja em dez meses.

quando eu subir aqueles dois quilômetros de novo, não quero fazê-lo em minutos, mas horas. quero fazer daquele caminho um amuleto. quero ter aquele sossego de quando toda sua energia está em manter o coração dentro dos limites da caixa torácica. e sobretudo, desejo imensamente ter essa memória para sempre comigo mesmo que eu já não suba mais montanhas, ou que não atravesse mais rios. 

para mim, essas montanhas são personagens centrais de um filme documental que continua sendo editado. 

um perfil, para sempre, em mosaico. 

 

domingo, 9 de novembro de 2025

Domingo

 acordei muito tarde e me arrestei até um almoço atrasado. carne para um dia sem café da manhã. depois um sorvete, afinal: domingos.


e por último, filme.

Cléo de 5 às 7.


cenas lindas, vestidos compridos, e pensamentos inundados pelo medo do mistério. silêncio e alguma poesia, para não dizer um filme brutal à vida, quando não graciosa. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

 Três

  1. Tigres tristíssimo

  2. Tropeços atrapalhados

  3. Trejeitos trajados 


Três vezes only Björk would

  1. Bachelorette

  2. Hunter

  3. Possibly Maybe


Três Davids

  1. Lynch

  2. Simon

  3. Chase


Três livros em 2025

  1. Happy hour, Marlowe Granados

  2. The sexual history of the internet, Mindy Seu

  3. Aos teus pés, Ana C


Três mídias 

  1. Escrita

  2. Pintura

  3. Costura


Três seres humanos com quem 

  1. Ag Cook

  2. St Vincent

  3. Paul Thomas Anderson


Three damn lines

  1. Who killed Laura Palmer?

  2. People in NY are better than us because they imagine things they haven't seen

  3. A man gotta have a code


Três pinturas pelas quais entraria no Serasa

  1. New York Movie, Edward Hopper

  2. La grand Guerre, Magritte

  3. The Dream of the Fisherman's Wife, Katsushika Hokusai


Três sensações irrevogáveis

  1. Sextas à noite, surfing the web in computer + headphones

  2. End of the day cigarette (tabaco bolado), noite quente, cozumel

  3. First thing in the morning: suco de caju geladinho batido na hora

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

the best question ever

 who killed Laura Palmer? why did they kill her?

I'm hooked on heavy drugs, my dear diary. shall I call you diane too?


i'd like to begin by saying this first thing which might sound really odd, but when i saw officer Andy for the first time, I had this feeling that he awfully resembles Agent Reid, from Criminal Minds. Both are tall, skinny, golden brown hair. They have some kind of delay on responding to threat or to danger, they conquer and destroy by leaning on some social ackwardness but they're incredibly heart welcoming. 

There is this scene where Andy fails to pull the trigger leading to Copper actually teaching him to build up his confidence to shoot, and eventually Andy simply saves the sheriff by shooting Jaques Renault on the shoulder, in a sort of like "hero's jorney mini plot". This EXACTLY same plot was aired in Criminal Minds. Reid had the exaclty same problem, which ultimately is a free way for us to read this as the level of masculinity in both characters are somehow off comparing to the law enforcement figure, a simbol of power, control, manhood. 



As the whole narrative is unveiled, I had the feeling that part of the reasons behind Laura's murder somehow inspired part of the The Wire's fourth season. The way how Jean Renault smokes cigarretes is EXACLTY the way how The greek smokes his. Also the whole thing about having an international system of drug and human trafficking running in various families like a genetic code, connecting powerful men from all enterprises. 


And the dreams. My favourite part. How the subconscious plays a particular but fundamental role in this TV show deeply intrigues me. the mystery that can never be really solved and yet HERE WE ARE. it is unique how Twin Peaks reassigns the power of intuition as some inexplicable tool towards "the truth", or part of the truth that matters at the moment. Which other TV show does this particular approach to dreams remind you of? Exactly: Sopranos. I guess it goes without saying that Sopranos did something extra or simply different, which was letting US have a peak of his analysis sessions with Dr. Melfi. 



I loved absolutely loved the part of the UFO's and the Air Force's secret mission analysing paranormal (did I see something like that on Fargo?) activity while a wild beast had possessed Leland's body and also that other thing about Copper's late partner wanting revange. All this incredible trama of events and people, really orbiting around each other but never colliding and when they finally did oh my oh my, rest in real damn peace, David. I am particularly thankful for the part where there was a fucking GIANT handing Cooper all the tips to an extraordinary conclusion to everything. 

Somehow and as a first I don't feel like I regret I didn't watch this earlier, because earlier I was watching ALL the cop TV shows that were apparently vastly inspired by Twin Peaks, and no matter that this is 2025, the reddit is full of people in awe by this achievement: presenting a TV production this timeless. (i'm one of them).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

remember remember


oddly 2024 gave me a few precious things such as


lust

joy

a gorgeous red lipstick


1) i know: three completely unexpected things as mundane as clean t-shirts. by the way: t-shirts only in white. either new or a hundred years old. it reeeeally doesn't matter. nothing, absolutely, nothing trumps fine jeans, a white shirt and a red lipstick. it doesn't matter how far we have come, this is written in stone. 

2) i don't want to sound completely insane (it might be a lil late for that - i can hear insanity from here). i'd rather live in front of my computer (as I am right now) listening to these five songs than doing, i don't know, doing anything else. it might reeeeeallly bear the resemblance of  Lane in Gilmore Girls obsessed over literally any 90's record, but truly, as a music-driven person, any day, crisp or cloudy, i'd survive it with these babies. 

- army dreamers by kate bush

- one for you by the knife

- sexy boy by air 

- violent times by st vincent

- modern love by david bowie

3) i don't know if i have shared this enough: this was the year when i finally met someone who has actually played the piano parts for the unbelievable Phantom Thread. Which means I'm at one person from the iconic Paul Thomas Anderson. Yes! Those funny stories that almost sound like a blunt lie, these are the stuff materials  i want to be sharing more. 

O Trajeto de um Texto Por Alguém-Cidade




Quando leio Alejandro Zambra's me vem como se fosse um filme dirigido por Noah Baumbach, alguma coisa na imagem e no texto busca acurar a paisagem de uma janela sobre a qual já nos debruçamos em vida. Considero-me uma entusiasta deste particular traquejo narrativo, em que a ficção e realidade se confundem, a narrativa se vale do engodo de uma memória geracional, regurgitam-se reflexões sobre a criação literária, quando não sobre o ofício da escrita, abrem-se fendas de relacionamentos que estão a ponto de naufragar,  e o que seria uma assinatura do autor chileno, superações sôfregas, que se dão pela dor particular desvelada junto à dores coletivas. 

(escrito em 13/01/2021)


um texto dedicado ao mês de junho

 definitivamente 4 semanas de  funga-fungas rinites no mínimo absurdas dedos gelados, pés duros o céu, porém, extremamente específico a luz ...