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Primeiro, não sabia muito bem o que escrever. Ao mesmo tempo, que as insurgências à vista. Uma viagem este mês, posso dizer isso. Esses meses e sobretudo este ano, uma jornada, sim, talvez como se fosse uma jornada no interior de uma pequena baleia dormindo em cima de uma alga ancestral. Uma baby baleia.
Amo este álbum: St. Vincent Deluxe, every tear disappear.
Uma saudade imensa de escrever redações sobre férias - mas já tinha esquecido como se pronunciava férias. Uma enorme desconfiguração dos caráteres e sobretudo o meu próprio, eu precisei reencontrar quais e de que maneira arcar com as decisões: assumir um personagem.
Então nada muito justo, declaro que este ano foi de trabalho, não sei em por onde anda meu saturno, algo me diz que na casa do caralho. Ou capricórnio? Se movimente, humana.
Ginásticas. Então assim: eu lutei. Sabe, eu lutei.
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Outra coisa, 2019 me deu uma solidão que eu não pedi (mesmo cercada de gente¿).
Mas 2020 me deu a paz que essa solidão queria de mim, então este conflito não é mais existencial. Não são mais meses sem a paz que dá conta de uma leitura de livro, segurar o livro com as duas mãos e efetivamente: lê-los. Como se todos os estímulos externos tivessem perdido essa batalha.
Mas não a guerra.
100% burned out de internet ( e ainda aqui, irônico!).
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Ainda ecoa em mim:
"Entre tantas coisas no fim de um relacionamento, é uma língua que se extingue."
E gosto de pensar no seu contrário - que são relacionamentos que falam novas línguas?
Fui à São Paulo e nesse momento ouvia a cidade, e nas conversas das pessoas elas relatando como foram de quarentena, com quem estiveram, o que perderam. Senti lá um ciclo dando boas vindas, e de fato, uma fluência em uma língua sem gramática. Passei muito frio inclusive, nove fucking graus no meio de outubro, o que???
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Não quero ser entendida, se quisesse eu teria feito uma dissertação. Cês acreditam que eu SONHEI com essa frase e me senti contemplada? Gostaria de ter contexto para dizer isso, então inventei este texto.
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A ideia de que se pode escrever sem se preocupar em ser entendida é um alívio, haja vista as simulações e estar realmente kkk on. Online para entender, sim eu entendo, e respondo e ensaio uma ação e tudo é um gasto de energia absurdo.
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Percebi que aeroportos me colocam no estágio mais alto da produção textual. Olhando para o mar esses dias eu pensei: quero escrever um livro. E não sei como começar, então estou investigando.
(este exercício consiste em escrever o que vem à cabeça, de preferência às manhãs. uma escrita livre, sem pudor, sem borrachas - sobre o que vier. quando lembro, faço este exercício e sinto que desmancho uma força que parece vir de dentro, sei lá)
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