são quase décadas respirando um ar tão rarefeito quanto debaixo da máscara; entre tantos surtos, suspiros e alívios percebo que são as telas, mesmo as frestas que me protegem. ou são essas fronteiras e entre elas a ideia de que há proteção, ou quem sabe o desejo. o erro do ocidente está na interpretação dos textos que prometiam salvação, como um evento final, contra o qual nem mesmo os abalos sísmicos, os vulcões, as erosões seriam capazes de reverter. está salvo o homem de seus pecados.
o tempo em espiral, a repetir e contorcer os mecanismos de proteção nos colocaram a sentir que mesmo dentre tantas curas estamos aqui pelos batimentos cardíacos. e que um coração bate até não bater mais. estamos curados até não estar mais. e assim sucessivamente até deformarmos a paisagens com nossos corpos cavados nelas.
o fim nem mesmo na morte está, quando as tangerinas apodrecem elas viram como se fossem uma gosma que se você juntar às demais tangerinas do mundo, o sumo podre é capaz de fazer bebês alhos-porós felizes. são também as decomposições que envergam as vivências. mesmo as coisas que matam, como terremotos, capitalismo, doenças e etc revivem ódio, incerteza, pânico.
dentro das intenções, dos esforços, das vontades, dos desejos pela cisão definitiva do sofrimento ele se mostra o material de transformação das coisas vivas; do aprendizado; da adaptação; da sucessão de poderes; do aumento; da diminuição. mesmo a estática engana, muitas das estátuas só estão ali por convenção de sua importância naquele recorte histórico.

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