sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

young and beautiful





Não - não será hoje o monotema "tudo que perdi em nome de"
Não - não será hoje a fartura do vinho que desce ao contrário
Não - não será hoje que eu começarei pelo começo, ao narrar sobre o fim
Sim - nem todos os dias são os mesmos dias

Alguns mais perto, outros tão longe... mas nenhum assim tão fora que não possam
adentrar no meu calendário de encontro imaginários
Em que reinvento os diálogos que nunca tive
E me perdoo pelos erros que nunca cometi

Alguns mais óbvios, outros mais discretos... mas ainda assim
eu não tenho compromisso nenhum com a verdade dos fatos
contanto que minha memória entenda que naquele dia tudo indicava
os semáforos abertos as mãos dadas e dois carrinhos de rolimã
que iriam colidir no absoluto despovoamento dos nomes das coisas

Não - nem todos os dias são os mesmos dias
nem as noites serão as mesmas noites
quando em mim, uma caverna
quando de mim, uma vela
quando do nada, o absoluto.

Mas hoje eu quero não violar a única forma de amor possível
e tematizar sobre qualquer coisa fora de meu controle
longe do meu espelho
impossível para o alcance míope de minha visão
improvável para a análise que se auto anuncia

Porém, são os dias longes de mim o único hoje pra agora
E do monotema que se declara, as poesias
O insuperável
Aquele dia em que os semáforos nem estavam aberto, e éramos dois
carrinhos de rolimã que colidiram no absoluto desconhecimento
dos nomes que viriam depois
quando passaríamos a nomear as coisas pelos dicionários
pela geografia
pela identidade
pela conformidade
pelo fim
para os vinhos.

Para que não - que não nos indispuséssemos mais.








domingo, 8 de dezembro de 2019

"do engano imaturo que esconde aquele grande amor"

Queria que esse fosse um caderninho bonito - praticamente novo. 
Mas oh no! já rasurei com deep communications problems
i feel like getting cold
But darling não era isto o que você queria?
Olhar para cima e desconhecer a direção 
os lugares para onde ir quando
se está procurando por algo que não tem nome 
sorry something went wrong
inúmeros jovens perdidos em infinita grandeza
estilinho cabelo no pentinho mas
incontáveis humilhações até o despejo
minha amiga que está perguntando:
como faz para se sentir bem e viver tranquila
by day?
mas querida y amada 
by night?
nunca saberemos

“tudo dará certo, vc vai ver”
kkkkkkkkkkkkkk
skincare, tarot pelos correios
chakras, aqueta essa por mim

vamos combinar de sair então
mas saio para buscar meu próprio bolo
e volto para casa numa tentativa de falar comigo através de 750ml 
de uvas fermentadas
e só então
and only then
me acho no espelho: bonita?
engraçada? uma grande gostosa?
as minhas próprias noias que vieram 
dessa vontade indefinida de preservar os cadernos bonitinhos
o cabelinho no dente
a pele sem peso rasura dobra
mas oh no! tudo aqui é velho gasto e conhecido
como imaginar os caminhos possíveis para casa

em dias de chuva vento e trânsito

* esse título foi retirado de uma música do jaloo
** essa poesia dessa forma é apenas uma decisão provisória

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Objetos Roubados Pelos Pequenos Seres

Dia desses perdi minha pentel dourada 0.5 mm. 

Fiquei desolada talqualmente há quinze anos atrás quando perdi meu estojo com todas as minhas canetinhas. Tenho especial apego aos materiais de escritório, sobretudo pela minha lapiseira que meu pai me deu, talvez ele nem se lembre, mas foi ele que escolheu, com seus certeiros olhos azuis, aquele estojinho com uma lapiseira e uma caneta, as duas agora nos achados e perdidos do mundo dos pequenos seres que levam as coisas embora. 

Achei simbólico que ela tenha justamente se despertencido do meu estojo quando estava recuperando a escrita de mim mesma. Ela que já escreveu muita carta de amor, de ódio, de reconciliação, listas, demagogias, tarefas, assuntos, bonequinhos de palito, frustrações, pitchs, brainstorms. Quando olho meus cadernos, ela está lá, o tempo não dissolve uma lapiseira que tem o poder de acompanhar toda a vida de uma mulher das letras. 

Nesta mesma semana do objeto roubado pelos pequenos seres, fui demover a poeira da parte inferior da cama, ali, onde todos são esquecidos, as meias, resto de pipoca, presilhas, tampas, recibos e plugs. E ela não pertencia àquele reino. Então desisti, daquele tipo de desistência da qual você continua olhando, como se na esperança pelo reencontro, mas querendo manter a integridade dos seres contemporâneos capazes de progredir desapegados - nunca serei.

Nesta mesma semana então, após faxina, telefonemas, pedidos de busca e apreensão da pentel 0.5 mm, dourada, que meu pai me deu aos 12 anos, com quem escrevi, descrevi e reescrevi tantos parágrafos soltos hoje por aí, também já era a outra escritora e profissional administrativa que precisava encontrar. Teria um CNPJ, a partir deste ano corrente prestaria as contas para a União e teria outro RG, do Estado de Minas Gerais, todos assinados por uma bic qualquer - porque nessas horas são as bics quaisquer de cinquenta centavos roubadas de outros seres que assinam os momentos mais definitivos e aterrorizantes de nossas vidas. As pentéis escrevem, deliram, divagam sobre uma pilha de pensamentos que jamais serão levados em consideração, enquanto as bics, com suas certeiras e indeléveis tintas azuis marcarão para sempre os nossos destinos. O meu destino. O meu presente, que de tão tosco e emparelhado decidi eu mesma me dar uma nova pentel 0.5 mm rosa choque, que é justamente para marcar a minha posse sobre o papel de carta, de cartão, de cartolina, de caderno, de caderneta, de bloquinho as palavras dessa nova espécie de eu - formada na escola de letras. Coisa que nenhum pequeno ser poderá tirar de mim.

um texto dedicado ao mês de junho

 definitivamente 4 semanas de  funga-fungas rinites no mínimo absurdas dedos gelados, pés duros o céu, porém, extremamente específico a luz ...